Combate ao coronavírus: uma questão de civilidade

Por Alceu Paganotto

Os dados oficiais sobre a pandemia de covid-19 no Paraná mostram 834 novos casos confirmados no dia 18 de junho de 2020. Em 7 dias, estimam-se 3.462 novos casos; só nesta semana (do dia 14/6/2020 até esta quinta feira, 18/06, 18/6/2020) 2.686 novos casos; neste mês de junho, mais 7.232 casos confirmados.

O estado do Paraná já registra 11.919 casos, com 406 mortes oficialmente computadas. Em Curitiba, nos 18 dias de junho, 1.076 casos novos, dobrando o número que estava computado até o final de maio. Esses números levaram as autoridades da Capital paranaense a decretar alerta laranja, obrigando vários estabelecimentos a manterem-se fechados.

Há 2 dias, a Secretária de Saúde do Município já alertava, em entrevista à RPC, que a capacidade de atendimento em UTIs estava já próximo ao limite. A infectologista Marion Burger, do Centro de Infectologia da Secretaria de Saúde de Curitiba, alertava sobre a urgência da população adotar as medidas de prevenção ao coronavírus, como o isolamento e o distanciamento social.

“Se não [tomar as medidas] em duas semanas não teremos mais leitos para internamento das pessoas com infecção pelo novo coronavírus e também não serão suficientes para as pessoas que adoecem em outras situações”.

Infectologista Marion Burger.

Enquanto isso, em pleno alerta laranja, decretado pela Prefeitura de Curitiba, notícia publicada no site bemparana.com.br no dia 18/6/2020, dava conta do fechamento de um bar situado no bairro Bacacheri, pela Ação Integrada de Fiscalização Urbana (AIFU), onde 30 (trinta) pessoas, muitas das quais sem máscaras, estavam desfrutando o convívio.

Outros 10 (dez) estabelecimentos foram denunciados aos canais da Prefeitura pelo mesmo motivo. E se procurarmos melhor, vamos encontrar casos de desrespeito parecidos ao lado da nossa residência. O uso da máscara de proteção, mesmo sendo obrigatório em todo o Estado, é tido por grande parte da população como uma obrigação desagradável e, sempre que possível, “desrespeitável”.

Ouvi de um amigo, ainda no começo da epidemia no Brasil, que era um absurdo exigir isolamento de municípios muito pequenos, pois a chance da doença chegar a eles era muito pequena. Mas chega. E se chega, a probabilidade de que se torne um enorme problema é grande. Um exemplo disso é um pequeno município do Paraná, que até 4 dias atrás não tinha registrado nenhum caso de covid-19; o povo de lá, continuava a frequentar bares, bailões etc… Aí surgiu o primeiro caso e o segundo e o terceiro. O desespero começou a cair sobre aquela população alegre e festeira. O que fazer? Provavelmente, esperar para ver quantos já estão infectados.

Há alguns dias em uma reportagem sobre o Japão, constava que cientistas não entendiam muito bem como aquele país, não tendo decretado qualquer restrição à movimentação de pessoas e ao funcionamento das atividades econômicas, conseguiu passar pela pandemia sem grandes problemas. Não parece difícil encontrar a explicação: a noção de cidadania, de coletividade e o comportamento de civilidade do povo japonês. Lá, mesmo não sendo mais obrigatório o uso de máscaras, ninguém deixa de usá-las.

Vencer a luta contra o vírus é muito mais uma questão de comportamento da população do que qualquer outra coisa. O que se vê no Brasil é reflexo da nossa formação como nação, agravado pelo comportamento das nossas principais autoridades.

Como vamos convencer o cidadão a usar máscara de proteção (lembrando que o uso de máscara tem a principal finalidade de impedir que o vírus seja propagado) quando o mandatário máximo do país promove reuniões públicas sem usá-la? Como convencer as mentes atrasadas e deseducadas de grande parte dos brasileiros a se precaverem diante de um problema que não tem outra solução, quando muitos dos idosos deixam de tomar vacinas gratuitas por mero preconceito?

E assim, de desrespeito em desrespeito, vamos contando com a sorte, esperando algum milagre, contando com a ajuda divina, esquecendo o principal: o combate ao vírus é uma questão de civilidade.

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